terça-feira, dezembro 12, 2006

Chegou o Natal...


Com as listas de prendas onde constam aqueles a quem queremos dar uma prenda e aqueles a quem temos obrigação de dar uma prenda...

Com os Centros Comerciais cheios e as lojas lotadas dos que vão ver e dos que vão comprar

Com as dores de cabeça porque o dinheiro evapora e falta sempre mais uma prenda

Com as reuniões familiares onde as conversas se repetem de ano para ano e os sorrisos de cinismo anual voltam a estar presentes

Com as tradições reinventadas e modernizadas

Com os excessos de comida e os velhos filmes natalícios...

Eu já não tenho metade da paciência que tinha... as prendas já raramente são surpresas em que cada um se esforçava por descobrir o que agradava ao outro... não... agora as prendas resumem-se a trocas de cheques FNAC, Continente, Media Market... etc.

Os miúdos querem lá saber do sapatinho na árvore ou do homem das barbas brancas que passou a ser apenas uma figura de postal e que às vezes também está sentado nos Centros Comerciais disposto a deixar-se fotografar. Os miúdos querem cheques FNAC, jogos de computador, dinheiro ...

Os adultos despacham a ceia e ficam na sala com conversas de circunstância até às 23 horas ou talvez menos porque o que interessa é despachar o assunto...

E depois restam os comentários "ahhhhh... que bom, deste-me um cheque FNAC... não estava nada à espera" ou "que engraçado a loja do 1.70€ tinha lá umas velas parecidas com estas"... os papeis dourados e as fitas de cores são recolhidas para o maior saco que estiver à mão e está feito o Natal...

E a missa do Galo, e o nascimento de Cristo, e a expectativa de abrir as prendas apenas no dia 25 pela manhã... isso agora é apenas matéria de filme clássico.

E os que não tem Natal?

E os que vivem sós e cuja pensão não dá para comprar bacalhau?

E os actos de boa vontade?

Enfim eu também faço parte desta turbe que deturpa o Natal e apenas compra prendas para não ficar mal...Mas cada ano é mais difícil, cada ano é com mais sacrifício que me arrasto para as compras, cada ano me sinto mais perdida no mundo do consumismo em que se pensa no valor da prenda que se recebeu para se calcular qual o valor da prenda a dar...

Será que ainda vale a pena?

1 comentário:

Cristina E. Leal disse...

É tão verdade este quadro que descreves que até faz impressão... Familiarmente sempre celebrámos o Natal com teatros (e mais tarde videos, claro) criados para as crianças representarem na consoada (agora que já são crescidos são eles que os preparam e apresentam) antes da missa do galo. Mas sinto que cada vez se torna mais difícil e o resultado menos aprimorado, talvez porque os velhotes vão desaparecendo, talvez porque temos todos menos tempo. Espero que o espírito renasça quando voltar a haver crianças.
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