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Encharco-me em comprimidos de insanidade metal nos limites da razão.
Conflito de letras onde aparecem milagrosamente expostas ideias de entrelinhas dispersas de assunto e ideologia. Raciocínios perdidos na confusão dos seres e dos tempos. Abertura de pensamentos fluidos de nevoeiros e brumas apocalípticas.
Domingo dia de nada...agoiro de segundas-feiras frustradas de trabalho sempre igual.
Domingo, sucessor de sábados de esperanças elementares de descanso inventado... corre, corre em sentido contrário, sorri que é sábado e hoje sábado só é preciso ir ao supermercado, à praça local onde o peixe cheira a maresia fresca e os legumes não vem empacotados...
Sábado dia de limpeza com crianças gritantes e maridos de Expresso esperando dentro do carro em segunda fila o regresso das sacadas de comida.
Sábado dia de tudo em que tu que estás convencida que nada fazes porque é dia de família, porque não há horários para cumprir, corres alegremente esperando que sobre ainda tempo para o pudim de ovos que a sogra vai comer.
Sábado, fim de semana desejado, limpa o pó com desagrado que amanhã é dia de almoço em família.
Sábado que a sexta-feira desejou em desespero de sonhou semanais.E almoço feito, e loiça lavada, e falta a máquina da roupa e mais a roupa que está na corda que tem que ser dobrada porque a empregada de uma só manhã faz o milagre de repor ordem na casa que o domingo descoordenou.
Sábado à noite, noite de sofá, TV no ar entre as reclamações rotineiras de controle remoto. Sábado à noite os amigos que tocam na campainha para 5 segundos de convívio semanal em que se trocam invejas e rotinas, em que se contam novidades por detrás de cortinas, em que se põe os assuntos em dia... e são queixas, preços de supermercado e receitas de culinária... e resultados de futebol e filmes alugados.
E chega o domingo prenúncio de segunda, começam os lamentos e no forno assa a carne e no fogão ferve a sopa e o almoço é de Domingo e a campainha não pára e a respiração ofegante mistura-se com o apito da panela de pressão. Roupa na máquina, suspiros de enfado e na televisão o resumo dos golos da jornada levam o convívio familiar para o estádio e o silêncio do casal é fatal porque já é tempo de deitar.7.30 Segunda-feira... começa a roda que acaba na sexta-feira.Abençoado fim de semana.
Porque hoje é sábado... apetecia-me ficar na cama... e não fiquei
Porque hoje é sábado e não pude dormir tanto quanto queria... fiquei irritada
Porque hoje é sábado eu quero silêncio para descansar a alma
Porque hoje é sábado gostava de poder fazer apenas o que me apetece... e não posso
Porque hoje é sábado e amanhã é domingo e estou de fim de semana ... gostava que respeitassem o meu fim de semana e não me telefonassem a toda a hora com problemas de chinelo
Porque hoje é sábado eu gostava de descansar... e não descanso
Porque hoje é sábado quero ver exposições, ler o jornal, respirar fundo e não tenho tempo..
Porque hoje é sábado apetecia-me andar à toa nas horas e nos minutos... perdida em divagações do nada... e não ando
Porque hoje é sábado queria estar de chinelos, sem calças a apertar a gorduras da idade e com camisolas manchadas de descuidos... e não ando
Porque hoje é sábado gostava de trocar as refeições... de comer apenas quando a fome aperta... mas porque tenho compromissos não posso porque me arrisco a ter uma crise de fome sem que possa ir comer...
Porque hoje é sábado quero respirar fundo... e dizer bem alto "HOJE É SÁBADO", mas não digo porque a loucura me obriga a trabalhar ao sábado
Porque hoje é sábado e nada posso fazer ou nada faço para viver o sábado tal como o imagino... tenho um sábado de MERDAé bem feito...